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Sobre

Minha trajetória

“Prefiro que as realidades se distingam pelos seus frutos, não pelos seus nomes.”

J. Escrivá
Prof. Dr. Mauricio C. Serafim ministrando aula

Perfil

Prof. Dr. Mauricio C. Serafim

Sou professor universitário, pesquisador e consultor, com doutorado em Administração pela FGV-EAESP e pós-doutorado em ética das virtudes na gestão pela Universidade de Navarra, Espanha.

No meio da graduação em Engenharia Elétrica, eu ia à biblioteca folhear livros de Administração e Economia, sem entender bem por quê. Eu tinha feito o curso técnico em eletrônica no fim dos anos 1980, e a engenharia era o passo natural para quem vinha dessa formação, mas os temas daqueles livros me atraíam mais que os do meu curso.

Entendi o motivo no mestrado em Engenharia de Produção, numa disciplina que me apresentou uma referência que me acompanha até hoje: o sociólogo brasileiro Alberto Guerreiro Ramos, autor da obra A Nova Ciência das Organizações. Nesse livro, ele trata de um problema que as ciências sociais enfrentavam: o reducionismo da razão humana à razão instrumental. Então percebi que meu interesse por Administração e Economia era, na verdade, o interesse pela pessoa humana. Na minha dissertação segui essa pista. Guerreiro Ramos distingue, no sentido clássico, duas faces dessa razão: a capacidade de discernir o falso do verdadeiro, que funda a teoria do conhecimento, e a de discernir o bem do mal, que funda a ética. Essa distinção ficou comigo antes mesmo de eu compreendê-la por inteiro. Dela aprendi a buscar a verdade e a possibilidade da ação ética na realidade das organizações, porque o ser humano só se realiza quando pode exercer essas duas dimensões.

O doutorado não foi sobre ética. Investiguei como as igrejas incentivavam o empreendedorismo, e o que me marcou foi a bondade que testemunhei ali. Certa vez, enquanto aguardava um pastor para entrevistá-lo em uma pesquisa de campo, vi um caminhoneiro entrar no templo e pedir uma oração para uma viagem muito difícil. Cinco pessoas se reuniram de imediato e, de mãos dadas, oraram por ele. Ele não conhecia nenhuma delas. Ao terminarem, agradeceu e foi embora.

Esse cuidado também alcançava os empresários, e não só na dimensão técnica, como cursos de finanças, mas com apoio espiritual e emocional. Dessa experiência nasceu a pergunta que carrego desde então: de onde vem a capacidade de fazer o bem, em um mundo cuja tendência é a entropia?

Uma primeira aproximação dessa pergunta veio da teoria da dádiva, do antropólogo francês Marcel Mauss. Ele formulou a tríplice obrigação de dar, receber e retribuir, fonte dos vínculos sociais. Seria o DNA que sustenta toda e qualquer sociedade. A geração e manutenção dos vínculos é condição necessária para o espraiamento da bondade. Mas ainda estavam faltando alguns elos. O foco estava no fenômeno social, fundamental sem dúvida, e me faltava entender o fenômeno pessoal.

Até que me deparei com obras sobre virtude: fazer o bem exige capacidade, e a capacidade exige força, treino e vigilância, para que a pessoa busque a coerência com a própria natureza. Aprendi que esse desenvolvimento da capacidade de fazer o bem é a ética, mais precisamente, a ética das virtudes. Reconheci que essa é a ética mais completa, como sustenta a filosofia clássica, grega e depois cristã, especialmente em Aristóteles e Tomás de Aquino. Junto com eles comecei a buscar quem é a pessoa humana, porque o reducionismo que eu percebia nas ciências sociais aplicadas (particularmente na Administração e na Economia) tem como elemento central o reducionismo da pessoa. Isso significa considerar uma particularidade do ser humano (como, por exemplo, a capacidade de cálculo) e inferir que isso é o todo da pessoa. Os clássicos me ajudaram a entender parte desse problema. Porém, estava ainda insatisfeito, sentindo falta de uma conexão que lidasse com os problemas contemporâneos e fosse uma ponte para os estudos organizacionais.

Essa ponte surgiu em Navarra, onde iniciei o pós-doutorado em 2019 (concluído em 2021), no grupo Virtue Ethics in Business. Paralelamente, conheci Juan Fernando Sellés, professor de teoria do conhecimento e antropologia da mesma universidade. Foi um encontro inesperado, em janeiro de 2020. Bastou uma conversa rápida em um centro cultural para que ele me convidasse a ir ao seu escritório. A primeira coisa que me explicou ali foi a distinção entre a natureza, o que se tem, e a pessoa, quem se é. Essa distinção deu nome ao reducionismo que eu percebia nas ciências sociais: a capacidade de cálculo é algo que se tem, e tomá-la pelo todo da pessoa é confundir quem se é com algo que se tem. Depois, pouco a pouco, em conversas quinzenais de duas horas, foi me apresentando o filósofo espanhol Leonardo Polo, embora eu não fosse seu aluno nem seu orientando. Sellés me ensinou a antropologia transcendental de Polo, revelando-me um conhecimento sobre a pessoa que até então eu não suspeitava ser possível. Polo também escreveu sobre Administração e Economia e, nesse terreno, complementava o próprio Guerreiro Ramos. Enquanto eu lia Antropología para Inconformes, de Sellés, ele mesmo tirava minhas dúvidas, com uma generosidade que jamais esquecerei.

Desde então busco integrar essa antropologia às minhas aulas e pesquisas. Tento mostrar aos estudantes a visão de pessoa que cada teoria organizacional pressupõe, explícita ou não, e a limitação que essa visão carrega. Mas o diagnóstico não basta, e a pergunta seguinte é inevitável: como resolver esse problema? No plano da pesquisa, procuramos a resposta no AdmEthics (Ética e Virtudes na Administração e Economia), grupo que fundei e onde hoje investigamos a relação entre técnica, tecnologia e pessoa: o que a inteligência artificial revela sobre quem somos e como usá-la para crescer.

No plano da prática, o problema aparece nas organizações como decisões ruins, liderança sem integridade e uso irresponsável de IA. Todos têm a mesma raiz, o caráter de quem decide, e ajustes de processo não a alcançam. Foi também no grupo de Navarra que aprendi que as virtudes morais na gestão são o que dá suporte a toda a realidade organizacional. Por isso, além da pesquisa e da docência, hoje me dedico a palestras, workshops, programas de formação e consultoria para conselhos e equipes de liderança. Caráter forma decisão. Decisão forma organização.

Ética das VirtudesLiderança VirtuosaIA & ÉticaAntropologia filosófica aplicada aos negócios

Áreas de expertise

Fundamento filosófico e aplicações organizacionais

A ética das virtudes fornece a base filosófica. A inteligência artificial e a formação de líderes são os campos em que essa base orienta decisões complexas.

Alegorias das virtudes na abóbada do presbitério da igreja de Santa Maria Assunta, Manerba del Garda
Fundamento filosófico

Ética das virtudes

A tradição filosófica sustenta todo o trabalho, da pessoa à organização. Além de perguntar o que devo fazer, examina que tipo de pessoa devo me tornar.

  • Aristóteles
  • Tomás de Aquino
  • Leonardo Polo
Ética e inteligência artificial
Aplicação técnica

IA e ética na Administração

Pesquisa e consultoria sobre o que as pessoas podem delegar à IA sem perder a capacidade de julgar e sobre os limites éticos da automação decisória.

Liderança virtuosa
Aplicação humanista

Liderança virtuosa

“É pelo caráter que se exerce a liderança; é o caráter que dá o exemplo e é imitado.”

— Peter F. Drucker

Formação de líderes capazes de decidir com integridade sob pressão e de julgar bem quando a regra escrita já não oferece resposta suficiente.

A integridade se prova nas decisões sobre pessoas

“A prova da sinceridade e da seriedade de uma direção é a ênfase intransigente na integridade de caráter. Acima de tudo, isso tem de simbolizar-se nas decisões da direção sobre ‘pessoas’.”

— Peter F. Drucker

A integridade da direção torna-se visível nas escolhas concretas: quem recebe autoridade, quais condutas são toleradas e que critérios orientam promoção, sucessão e desligamento. As decisões sobre pessoas revelam o caráter da organização.

O que a inteligência artificial revela sobre a pessoa

“A IA não é uma ameaça à nossa existência, ela é uma ameaça à nossa mediocridade. Ela é um convite à humildade. Um convite para reconhecermos nossa miséria — aquilo que é substituível — para que possamos abraçar de verdade a nossa grandeza: nossa dignidade, nossa consciência, nossa irrepetibilidade.”

— Mauricio C. Serafim

Imagem do card Ética das virtudes: alegorias das virtudes na abóbada do presbitério da igreja de Santa Maria Assunta, Manerba del Garda. Foto de Wolfgang Moroder, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

Formação e carreira

Linha do tempo

1997

Graduação em Engenharia Elétrica

Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

2001

Mestrado em Engenharia de Produção

Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

Tema: A ética no espaço de produção

2008

Doutorado em Administração de Empresas

Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), São Paulo

Tema: Empreendedorismo e Religião sob a ótica da Sociologia Econômica. Período sanduíche: Università degli Studi di Milano, Itália (2007)

2009 (atual)

Professor e pesquisador

Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC

Coordenador do Programa de Pós-Graduação (2014-2015). Disciplinas: Ética na Administração, Estudos Organizacionais Avançados, Sociologia Econômica, Ética no Uso da Tecnologia e IA, Introdução à Vida Intelectual, Virtudes e Dilemas Morais na Administração

2018 (atual)

Consultor e palestrante

Projetos sob medida para conselhos, C-levels e equipes de liderança

Workshops e consultorias em tomada de decisão ética, liderança virtuosa e governança de IA, sempre a partir do diagnóstico específico de cada organização.

2019 (atual)

Colaborador internacional

Universidade de Navarra, Espanha

Membro permanente do grupo Virtue Ethics in Business.

2021

Pós-Doutorado (2019-2021)

Universidade de Navarra, Espanha

Tema: Ética das Virtudes na Administração

2022

Curso Superior em Filosofia de Leonardo Polo

Universidade de Navarra, Espanha

Trajetória e reconhecimento

Números e distinções

25+

Anos como professor e pesquisador

60+

Publicações científicas

Em periódicos nacionais e internacionais, incluindo capítulos de livros.

100+

Orientações científicas

Supervisões de trabalhos de graduação, especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Prêmio CAPES 2020

Melhor tese em Administração Pública e de Empresas (como orientador).

ANPAD 2018 e 2021

Melhor Trabalho no principal congresso de Administração do Brasil.

Bolsa de Produtividade CNPq · 2023–2026

Recebi a Bolsa de Produtividade em Pesquisa, distinção concedida a pesquisadores de excelência.

Matrícula de Honra · 2022

Curso Superior em Filosofia de Leonardo Polo, Universidade de Navarra.