Para nunca mais esquecer – A importância da escrita

A cada um de nós a verdade aparece por clarões: mas nosso espírito recai quase imediatamente em seu estado natural de inércia e obscuridade. Sentimo-nos, então, como que abandonados: e o esforço doloroso que fazemos para reencontrar a luz perdida revela-nos tão somente a nossa impotência. No entanto, se conseguimos captar essa luz pela escrita, tornamo-nos capazes de reanimá-la quando ela parecia extinta. Existem momentos privilegiados em que a verdade passa diante de nós e nos roça, para logo escapar; a escrita nos permite fazê-la renascer indefinidamente.

Do meu filósofo francês favorito Louis Lavelle. Via Rodrigo Gurgel. 


No que se agarrar neste momento

Sam – O que está fazendo? Pra onde está indo?

Sam – Sou eu, sou eu, o Sam… Não reconhece mais o Sam?

Frodo – Eu não posso fazer isso, Sam…

Sam – Eu sei… Tá tudo errado… Nós nem deveríamos estar aqui… Mas estamos…

É como nas grandes histórias, Sr. Frodo… As realmente importantes eram cheias de perigo e de escuridão… E, às vezes, não queria nem saber o final… Por que como o fim poderia ser feliz? Como o mundo poderia voltar a ser o que sempre foi quando tanta coisa ruim aconteceu?

Mas no final, essa sombra vai passar… Com certeza… Até mesmo a escuridão acabará… Um novo dia virá… E quando o sol nascer, ele brilhará ainda mais…

Essas eram as histórias que ficavam com a gente… Que significavam alguma coisa, mesmo quando era pequeno demais pra entender por quê…

Mas eu acho, Sr. Frodo, que eu entendo… Agora eu já sei… As pessoas daquelas histórias tiveram muitas chances pra desistir, mas não desistiram… Elas foram em frente… Porque estavam se agarrando a alguma coisa…

Frodo – A que estamos nos agarrando, Sam?

Sam – Que há algo de bom neste mundo, Sr. Frodo, e que vale a pena lutar…

Peguei daqui.


Para esta eleição

Ide, ide, ide, disse o pássaro: a espécie humana
Não pode suportar muita realidade.
O tempo passado e o tempo futuro
O que poderia ter sido e o que foi
Apontam para um só fim, sempre presente.

Quatro Quartetos, T. S. Eliot (Tradução de Gualter Cunha, Ed. Relógio D’Água). Peguei daqui.

Essa eleição me serviu para separar o joio do trigo, daqueles que se importam realmente com uma administração pública nos moldes republicanos daqueles que usam o social como pretexto para o fortalecimento de interesses partidários.



Para este dia 16.10.2014

Conheci esta linda canção de Monteverdi de 1642 numa apresentação do grupo catarinense Cantus Firmus.

Pur ti miro, pur ti stringo,
pur ti godo, pur t’annodo
più non peno, più non moro,
o mia vita, o mio tesoro.

Enquanto te olho,
Enquanto desfruto esse momento,
Enquanto te abraço,
Enquanto estás junto a mim,
Já não sofro, já não morro,
oh minha vida, meu tesouro.


A verdade sobre o Bolsa Família

Fiquei estarrecido quando a candidata Dilma disse – durante o debate da Band desta terça-feira – ser uma fábula que o Bolsa Família teve origem nas políticas sociais do PSDB, tendo a saudosa Ruth Cardoso um papel de destaque (não foi citado, mas Vilmar Faria, que trabalhou com Dona Ruth, foi o idealizador de vários projetos sociais e da ‘rede de proteção social do governo’).

Já abordei este assunto e os links estão aqui:

É vergonhoso que um Presidente da República minta desse jeito em rede nacional.



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