A liberdade interior e exterior

“A idéia de liberdade tem duas histórias. Deriva de um lado da carreira feita pela idéia de igualdade. Temos então o tipo de liberdade que pode ser chamada de externa. É a liberdade que o homem pode ter pelo fato de ser igual a outros homens. Essa espécie de liberdade deve ser considerada externa porque se restringe somente ao que diz respeito ao nosso comportamento externo. É oriunda de uma noção inteiramente – como a igualdade – relacionada com a problemática do poder. Os homens são iguais e livres a fim de terem o poder de fazer livremente e igualmente as mesmas coisas.

Mas existe também uma idéia de liberdade que não deriva da noção de igualdade, embora derive da idéia de justiça… Mas temos nesse conceito mais complexo de justiça uma idéia que paradoxalmente parece identificar-se com a noção mesma de desigualdade. Existem homens que são justos contrariamente ao que acontece com a maioria deles. Esses homens são igualmente livres; conseguem controlar suas próprias paixões e instintos e desse modo adquirem um certo grau de liberdade. Essa espécie de liberdade não outorga poder sobre as coisas ou outros homens, mas oferece ao homem que a possui uma entrada franca no mundo da cultura.

À liberdade assim constituída só podemos chamar de liberdade interior.”

Mário Vieira de Mello. Conceito de uma Educação da Cultura. Ed. Paz e Terra, 1986. p.98




O mundo não acredita no amor

O mundo nos aconselha a não crer no amor. Será um epifenômeno, uma mentira das glândulas; uma ressonância de opiniões; uma concordância de peles e de cheiros. Aparecem pedagogos e sociólogos pedantes para nos propor uma solidariedade de camaradas humanos na base de uma tolerância que respeita tudo no outro, exceto o que ele é.

Gustavo Corção. A descoberta do outro. p. 252


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