A atitude que podemos adotar na Administração

A redução sociológica, em última análise, afirmando a preeminência do ser humano em situação, num dado contexto sócio-histórico, exige que o sociólogo adote, antes de mais nada, a atitude receptiva e lúcida do filósofo que formula e maneja as categorias do pensamento para aplicá-las onde elas se tornem, além de válidas, férteis e produtivas.

Benedito Nunes. In: Guerreiro Ramos. A redução sociológica. Editora UFRJ, 1996. p. 199.

Escrevi algo neste sentido aqui. Gosto da ideia que devemos utilizar as categorias de pensamento de modo fértil. Acredito que seja uma boa orientação ao estudioso da Administração, frente a uma academia que ainda valoriza especulações estéreis sobre realidades não vividas pelo pesquisador.

 


Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais da PMSC em parceria com a ESAG/UDESC

Defesa monografia CAO 2014

Nesta sexta-feira (05.09.2014) se encerraram as defesas das monografias dos alunos do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO 2014): Especialização lato sensu em Administração de Segurança Pública, em parceria com a ESAG/UDESC. Fui o professor de metodologia científica e participei de oito bancas, tendo o privilégio de orientar três dos trabalhos apresentados. A convivência com os 41 capitães durante o curso e o contato com parte da hierarquia da PMSC durante as bancas me deixou positivamente impressionado.

São pessoas inteligentes, gentis, compromissadas e com um senso de honra admirável. Como professor fiquei orgulhoso dos resultados das monografias e da competência com que realizaram as pesquisas.

Pelas conversas que tive todos ficaram muito satisfeitos: a PM – pela qualidade do curso e pelas propostas apresentadas de aperfeiçoamento da gestão de alguns dos setores da instituição – e a ESAG, pela oportunidade de dar aulas a alunos tão gabaritados e de conhecer mais essa complexa organização.

Aprendi a respeitar ainda mais a PMSC. E é com preocupação que observo em alguns setores da sociedade a tentativa de deslegitimar essa instituição, tão fundamental para a manutenção da ordem pública.

Um tenente-coronel durante a defesa de uma monografia citou as palavras de um coronel da reserva: “Você sabe por que eles não nos entendem? Porque num mundo de ‘moderninhos’ nós somos caretas”. Ordem pública, disciplina, honra, meritocracia, busca em ser o melhor no que faz são alguns dos princípios e valores que dão unidade e estabilidade numa sociedade. Realmente é preocupante que estejam “fora de moda”.

 

 


A psicologia do mal

Uma ótima palestra do psicólogo americano Philip Zimbardo. Ele comete apenas um deslize teológico quando afirma que o inferno foi criado por Deus. Segundo a tradição cristã, o inferno foi criado por Lúcifer para o seu propósito de levar as almas que estão em completo e absoluto desamor para com Deus.


Os recortes da realidade

Todo símbolo implica em fazer um recorte no objeto. Newton olhava para o céu, via o movimento planetário, e fazia um recorte do objeto. Esse recorte não era baseado no ser do céu, em “o que é o céu”, mas era baseado no interesse dele, que era entender matematicamente as órbitas dos planetas. Quando o poeta olha o céu, faz outro recorte ainda. O casal de namorados olha o céu e faz outro ainda. Todos esses recortes dizem alguma coisa sobre o céu, mas não lhe diz o que é o céu.

É claro que quanto mais conjuntos de notícias organizadas se tiver sobre um objeto, mais fácil será a compreensão do que ele é. Mas, e se eu faço um recorte e digo que o ser do céu é isso, que ele é o que é representado por esse recorte? Imediatamente eu reduzi todos os outros recortes à fantasia. Quer dizer, o que o poeta vê no céu é a imaginação dele, não é o céu. E só o que Newton vê no céu é o céu. Essa atitude implica não somente um recorte, mas uma escolha arbitrária. Você não tem nenhuma prova de que o recorte de que Newton faz é mais relevante do que o recorte que o casal de namorados faz, de que o recorte dele diz mais sobre a realidade do céu do que o recorte feito pelo casal de namorados. Newton faz esse recorte desde o começo. Para ele é assim: o objeto do conhecimento científico é somente o recorte matematizável do cosmos.

Prof. Luiz Gonzaga de Carvalho Neto. Via Instituto Cultural Lux et Sapientia


Pensamento breve #2: Amor livre

Vejo hoje pichações na cidade sobre “amor livre”, vida sexual desregrada. Manifestações em favor de uma utopia sexual libertária. O retorno da ideologia marcuseana dos anos 60 e 70. Naquela época não deu certo e na nossa época também não dará.

Aqueles que defendem o “amor livre” esquecem que é próprio do amor ter regras, como o paradoxo da “liberdade obrigatória”, tão poeticamente expressa na frase “é um estar preso por vontade”. O amor livre genuíno é aquele que deixa livre o amor para ser aquilo que ele é, enredando-se na realidade e no outro, não pela via genital como afirmam alguns, mas pelo sacrifício livre e alegre de dar sua vida pelo amado.

Aquele que não está disposto a “perder” sua vida pelo outro não está disposto, na verdade, a deixar que seu ego seja o centro de sua própria vida. Algum problema nisso? Não necessariamente. Só não chamem de amor o que é apenas expressão de uma idolatria de si.



Relativismo sem limites

[...] o relativismo é incompatível com situações nas quais o sociólogo pretende atribuir papel operante à teoria de que é criador. Neste caso, a teoria não pode deixar de ter algum conteúdo dogmático empiricamente justificado pelo fato mesmo de que a realidade a que se refere é dotada de sentido. Somente uma sociologia de cátedra ou, como diria Hegel, “de professores”, poderá adotar um relativismo sem limites.

Alberto Guerreiro Ramos. A Redução Sociológica. Editora UFRJ, 1996. p. 96



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